Pensamento Complexo: entre redes conectadas e redes humanas

Você já parou para pensar na complexidade do pensamento? Não, não estamos falando do que escolher para jantar, mas sim de algo um pouco mais profundo. Para entrar nessa complexidade, não há como não falar de Edgar Morin, antropólogo, sociólogo e filósofo francês, onde ele nos convida a explorar a complexidade não como um desafio de totalidade do indivíduo, mas como um mergulho no incompleto do conhecimento. Nas palavras do próprio Morin, a questão central não é a busca pela completude, mas sim a resistência à mutilação do pensamento perpetuada pelos simplificadores. A partir disso, Morin nos incentiva a perceber a amplitude de nossa existência como seres que englobam as dimensões física, biológica, social, cultural, psíquica. A dificuldade, aqui, está em tentar entender como esses diferentes aspectos se relacionam, mantendo as conexões, identidade e diferença entre eles.

A abordagem de Edgar Morin sobre redes de conexão, quando aplicada ao contexto de networking, ressalta a necessidade de compreender as interconexões e interdependências. Da mesma forma como Morin destaca a importância de analisar os elementos individuais e as relações dinâmicas em sistemas complexos, no networking, a qualidade das conexões assume um papel importante. Em vez de evidenciar apenas as partes individuais, o foco se dá mesmo na compreensão da natureza e importância das interações para estabelecer e manter redes eficazes. Essa abordagem é essencial na concepção e gestão de redes de conexão que sejam colaborativas e geradoras de desenvolvimentos que sejam economicamente sustentáveis em uma sociedade que se articula cada vez mais por modelos econômicos.

Sociologia do desenvolvimento

A sociologia do desenvolvimento emerge como um recurso essencial em um mundo interconectado e polarizado a partir destes modelos econômicos. Este campo de estudo oferece uma perspectiva única para analisar as complexas relações de poder, alocação de recursos e estruturas sociais presentes na contemporaneidade. Ao enfocar as relações de poder, a sociologia do desenvolvimento examina como determinados grupos detêm influência, enquanto outros podem ser marginalizados, muitas vezes ligado à distribuição desigual de recursos. Em um contexto globalizado, a sociologia do desenvolvimento também se concentra nas conexões sociais. Isso envolve examinar o impacto de políticas globais, comércio internacional, migração e influências culturais no desenvolvimento de diferentes regiões. Além disso, essa abordagem se estende à análise de desafios contemporâneos, como mudanças climáticas, migração em massa, pobreza e desigualdade, exigindo uma compreensão profunda das dinâmicas sociais para propor soluções eficazes.

Nesse contexto, as contribuições do economista brasileiro Celso Furtado ganham relevância. A análise de Furtado sobre a economia dos países em desenvolvimento enriquece a compreensão da distribuição de recursos e das estruturas sociais, integrando aspectos econômicos cruciais. Suas reflexões abrem caminho para a compreensão de como as políticas globais, o comércio internacional e as influências culturais afetam não apenas as estruturas sociais, mas também as economias locais. Não há dúvidas de que estas análises nos permitem pensar na responsabilidade global com excesso da produção material destas economias. Em outras palavras: É valido um crescimento econômico que ao mesmo tempo cria obsolescência? 

Obsolescência programada

Obsolescência programada se refere a uma técnica utilizada por fabricantes para desenvolver e vender um produto que se torne obsoleto ou não funcional de forma que force o consumidor a comprar a nova geração do mesmo produto. O vídeo “iPod’s Dirty Secret”, disponível no YouTube, (https://www.youtube.com/watch?v=RKT7RzYBN5I) mostra o caso de uma consumidora que comprou um iPod por US$500 que a bateria parou de funcionar 18 meses depois. Ao reclamar para a Apple, a resposta foi “Vale mais a pena comprar um novo”. O caso repercutiu e virou ação de rua, com diversos cartazes publicitários da Apple pichados.

Em uma de suas obras, o sociólogo Zygmunt Baumann fez críticas à sociedade moderna: “Vivemos em uma sociedade pós-moderna, de massa, de consumo de massa, onde tudo é induzido a ter vida curta, onde há necessidade de se trocar frequentemente os produtos. É necessário estabelecer um meiotermo: não barrar a evolução tecnológica, a evolução do design, a evolução das coisas como naturalmente ocorre em um regime capitalista, e, ao mesmo tempo, assegurar ao consumidor seus devidos direitos” e que sejam sustentáveis. 

É fácil perceber que essa técnica utilizada pelas empresas é uma ameaça ao desenvolvimento sustentável. Portanto, cabe aos fabricantes focarem nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) tornando seus produtos mais funcionais e duráveis, assim ajudando a proteger a vida, além de tornar as cidades e comunidades sustentáveis.

Conclusão

Em reflexão ao pensamento complexo de Edgar Morin, somos instigados a considerar a complexidade não como um desafio de totalidade, mas como uma imersão na incompletude do conhecimento. Morin ressalta a resistência à simplificação, encorajando-nos a perceber a amplitude de nossa existência em diversas dimensões. Essa abordagem tem aplicações práticas, como na compreensão de redes de conexão, onde a qualidade das interações é crucial para estabelecer redes eficazes. 

No âmbito da sociologia do desenvolvimento, a análise das relações de poder e conexões sociais torna-se essencial em um mundo interconectado e polarizado. As contribuições de Celso Furtado enriquecem essa perspectiva, integrando aspectos econômicos para entender a distribuição de recursos e estruturas sociais em países em desenvolvimento. O debate sobre obsolescência programada destaca uma prática prejudicial à sustentabilidade, na qual fabricantes induzem a vida curta dos produtos para impulsionar o consumo. Zygmunt Baumann critica essa mentalidade consumista, sugerindo a necessidade de equilíbrio entre a evolução tecnológica e a proteção dos direitos do consumidor. Nesse contexto, a adoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) emerge como uma medida crucial para garantir a funcionalidade e durabilidade dos produtos, contribuindo para a proteção da vida e a promoção de cidades e comunidades sustentáveis.

 

Por Gabriel Gonçalves Formario; Giovanna Caroline Sanches Ferreira; Guilherme Martins Macedo; Guilherme Tamer Lotaif; Luiz Guilherme Machado Bueno Pereira; Luiz Gustavo Da Silva Candido; Rodrigo Saramago Pinheiro Plaisant Jouan.

Referências: 

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. 3. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil. 34. ed. São Paulo:

Companhia das Letras, 2019.

_______, Celso. “Desenvolvimento e Subdesenvolvimento”. In: SCHWARTZMAN, Simon; CASTRO, Antônio B. (Orgs.). Economia Brasileira Contemporânea. São Paulo: Atlas, 2007. p. 27-43.

MORIN, Edgar. Pensamento Completo. 2. ed. São Paulo: Editora XYZ, 2010.

Diferenciando protótipo de MVP

Embora frequentemente confundidos, o protótipo e o MVP (Produto Mínimo Viável) assumem funções distintas no processo de desenvolvimento de produtos, especialmente no contexto de