O self e o meta – self

Deixamos rastros digitais na paisagem. É um fato dos tempos que vivemos.

Em grandes centros urbanos, repletos de indivíduos conectados a aparatos digitais, notamos com maior intensidade a quantidade de rastros que são deixados a cada momento. Tais rastros também fazem parte da gigantesca quantidade de dados que permeia o mundo atualmente, de acordo com a ideia de big data.

Sendo assim, podemos dizer que “toda associação deixa rastros, sendo o trabalho do cientista social o de reconstruí-los e reagrupá-los. O social não é o que abriga as associações, mas o que é gerado por elas. Ele é uma rede que se refaz a todo o momento. Os actantes buscam, com muito esforço, estabilizar essas redes em “caixas-pretas”, instituições, normas, hábitos, estruturas”. (LEMOS; HOLANDA, 2013, p.2).

O conjunto de informações privadas emitidas pelos usuários por meio de seus devices digitais gera um “registro integrado das exposições voluntárias e involuntárias, transmitidas e emitidas” que compõem o que pode ser considerado um meta-self, um conjunto de rastros que permite que algoritmos/sistemas de empresas definam que mensagens/conteúdos serão apresentados para determinadas audiências (NEJM, 2016, p.229).

Pode parecer complexo, mas estes rastros que deixamos podem até mesmo virar ações de marketing. Os rastros, inclusive, podem ser não-digitais, inclusive. Como no exemplo a seguir:https://www.youtube.com/watch?v=AlCHC36rX20

Referências:

LEMOS, André; HOLANDA, André. Do Paradigma ao Cosmograma: Sete Contribuições da Teoria Ator-Rede para a Pesquisa em Comunicação. In: Encontro Anual da Compós, XXII edição, 2013, Salvador. Anais do XXII Encontro Anual da Compós, Salvador, 2013, p.1-17. Artigo apresentado no Grupo de Trabalho Epistemologia da Comunicação do, Salvador, 2013. Disponível em: http://compos.org.br/data/biblioteca_2050.pdf.

NEJM, Rodrigo. Exposição de si e gerenciamento da privacidade de adolescentes nos contextos digitais. Salvador: Universidade Federal da Bahia, 2016. 267 f. Tese (Doutorado em Psicologia Social) – Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2016.

Somos todos ciborgues?

Por Vicente Martin _____________________________ Ao  observarmos  o quanto de tecnologia travamos contato em nosso cotidiano, podemos  levantar  o  seguinte  questionamento: estaríamos, nós humanos, nos